segunda-feira, 3 de outubro de 2011

"Pitanguinha Minha Vida": pioneirismo no aproveitamento do lixo em Alagoas (novembro de 1999)

Galpão de 200m² é sede do projeto Pitanguinha Minha Vida.
Conscientizar à população, mudar seus hábitos, comprometer a todos com a preservação do meio ambiente, através da coleta seletiva e reaproveitamento do lixo é a meta principal do projeto "Pitanguinha Minha Vida", desenvolvido há sete anos pela Associação dos Moradores do Bairro da Pitanguinha (AMPITA).
O projeto surgiu quando o técnico da Companhia Beneficiadora de Lixo (Cobel), Carlos Alberto Lima, observou uma experiência de coleta seletiva de lixo implantada em Niterói - RJ e apresentou-a ao Instituto do Meio Ambiente (IMA). Este, em parceria com a GTZ (Empresa de Gerenciamento Técnico Alemã) decidiu implantá-lo na Comunidade Pitanguinha (Maceió-AL), onde residem aproximadamente 5 mil pessoas. A partir daí, o IMA/GTZ enviou profissionais para aplicar as técnicas de seleção de material reciclável e proferir palestras acerca de educação ambiental.
Hoje, 90% da comunidade colabora com a coleta, e segundo o vice-presidente da AMPITA, José Duca, o projeto já beneficia diretamente 11 famílias, que têm seus representantes trabalhando na seleção do lixo, além de promover melhorias no bairro, e apoio a famílias carentes e idosos que prestam pequenos serviços ao projeto em troca de cestas básicas.

Porém, somente o material arrecadado no bairro não é suficiente para que a entidade se auto-sustente. Para isso, a AMPITA recebe doações de lixo seletivo de aproximadamente 100 moradores de bairros diversos e empresas como a Trikem, Importadora Volkswagen e brevemente estará recebendo da empresa Mapel e shopping Cidade. A vantagem dessas empresas ao doarem o seu lixo é a redução do impacto ambiental e dos custos com o descarte do resíduo.
A Prefeitura Municipal também contribui com o projeto, através da Cobel, que fornece um caminhão para a coleta no bairro e 6 funcionários para trabalharem na mesa de triagem do lixo.
O projeto comercializa, mensalmente, uma média de 20 toneladas de aparas, entre elas vidros, metais, plásticos e papéis que são preparados para reciclagem num galpão de 200 metros quadrados de área, com seis boxes de concretos que servem para armazenar diferentes materiais recebidos. No seu interior, encontra-se uma mesa de catação de 1.5 m x 5m e uma balança que pesa o máximo de 350Kg. Através de um contrato com a Trikem a associação dispõe ainda de uma balança com maior capacidade, uma prensa hidráulica e duas máquinas de cintar. A empresa também presta assessoria técnica administrativa nas áreas de gerenciamento e contabilidade.
O lixo reaproveitado é fornecido para as  as empresas Plastuto, a qual adquire plásticos de baixa densidade para confecção de sacos de lixo e sacolas; Ondunorte, que compra papel e jornal para confecção de papelão e papel higiênico, respectivamente; Compet, onde são comercializadas garrafas plásticas de refrigerante para fabricação de fio para tecelagem, vassouras e cordas; Replast, que recebe plástico filme; e sucateiros da cidade, que aproveitam o alumínio, ferro velho e vidro. As sobras dão origem a criativos produtos que são comercializados na associação e nas exposições realizadas em shoppings, escolas e empresas. 

------------------------------------------------------------------------------------------------

EDUCAÇÃO AMBIENTAL
empresas Plastuto, a qual adquire plásticos de baixa densidade para confecção de sacos de lixo e sacolas; Ondunorte, que compra papel e jornal para confecção de papelão e papel higiênico, respectivamente; Compet, onde são comercializadas garrafas plásticas de refrigerante para fabricação de fio para tecelagem, vassouras e cordas; Replast, que recebe plástico filme; e sucateiros da cidade, que aproveitam o alumínio, ferro velho e vidro. As sobras dão origem a criativos produtos que são comercializados na associação e nas exposições realizadas em shoppings, escolas e empresas.

Artistas da Pitanguinha confeccionam produtos com lixo reciclado.


------------------------------------------------------------------------------------------------
ASSOCIAÇÃO GARANTE MELHORIAS NO BAIRRO
Funcionando, temporariamente, no Centro Comunitário, a Associação dos Moradores do Bairro da Pitanguinha – AMPITA, vem realizando um trabalho social abrangente, garantindo melhorias e benefícios aos associados e, por conseguinte, a todos os habitantes do bairro.
Regularmente, são promovidas reuniões com os associados para tomada de decisões, garantindo a participação de todos em iniciativas para melhorar a comunidade. Segundo o vice-presidente, José Duca, está sendo debatida atualmente a permanência de um médico à disposição dos associados e a reabertura do Centro de Saúde. Debate-se, também, a extinção do pagamento para uso do Centro Comunitário por parte dos associados, quando desejarem realizar torneios, aniversários, comemorações em geral.

Uma das reuniões da associação da Pitanguinha.
Ao longo dos anos que a associação está em exercício, foram tomadas várias providências. José Duca destaca a instalação de mais 4 transformadores na rede elétrica do bairro e a abertura de 3 poços artesianos, sanando problemas como constantes quedas de energia e falta d’água. Foi posto em prática, também, um projeto odontológico, onde 12 dentistas atendem aos 130 associados que contribuem, mensalmente, com uma quantia de 5 reais.

------------------------------------------------------------------------------------------------
 PROJETO 2000: novos planos para a AMPITA 
  • Reforma para ampliação do galpão de triagem do lixo;
  • Mudança da sede para o galpão;
  • Construção de auditório para realização de palestras e cursos sobre educação ambiental;
  • Firmar convênios com outras empresas para doação de lixo seletivo;
  • Ativar o projeto "Vigilantes da Coleta", onde crianças de 10 a 14 anos serão treinadas para atuarem como educadores ambientais nas escolas e no bairro;
  • Ativar o projeto "Cadernos Alternativos", no qual os moradores da Pitanguinha confeccionam cadernos, utilizando o lixo reciclado, e posteriormente estarão comercializando com a Secretaria da Educação do Estado de Alagoas.

 Crianças são treinadas para o projeto vigilantes da coleta.


------------------------------------------------------------------------------------------------
 EXPOSIÇÃO MOSTRA A IMPORTÂNCIA DO LIXO
No último mês de novembro, aconteceu no Shopping Cidade uma exposição de produtos feitos com lixo reciclado, todos confeccionados por moradores do bairro da Pitanguinha.
Segundo o vice-presidente da AMPITA, José Duca, apesar da exposição não ter tido a participação de todos os artistas do bairro, apresentando os seus trabalhos, o objetivo foi alcançado, uma vez que os visitantes constataram o pensamento de Lavoisier: "na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma".
No caso dos artistas da Pitanguinha, a transformação foi completa. Mesas de canto e caixas feitas a partir de papel de jornal; tapetes feitos de calça jeans e até mesmo árvore de natal produzidas com rolos de papelão; e ainda outros produtos que também chamaram a atenção do público.
A renda obtida nessas exposições fica para o próprio artista, que tem à sua disposição o material reciclável e orientação de professores de arte, escalados pela própria associação.

"Um dos artigos expostos na exposição"




 
------------------------------------------------------------------------------------------------

 CRÉDITOS

TEXTO: Adriana Amâncio de Almeida Oliveira e Claudia de Souza Soares Gusmão
ILUSTRAÇÃO: José Adnael Silva.

------------------------------------------------------------------------------------------------

Nenhum comentário:

Postar um comentário